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Eu quero mais, e você?
Em todas as encruzilhadas da vida é necessário saber o que, como, quando e onde, se pode fazer alguma coisa para mudar...               leia mais...
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A Pequena Diferença

Não raro nos perguntamos: O mundo é ingrato? Alguns nascem com privilégios e continuam bem-aventurados, outros, nascem miseráveis e continuam marginalizados.

A vida é estranha? Alguns conquistam o sucesso e se tornam vencedores, outros, são vitimados pela desgraça e se tornam fracassados.

A morte é peremptória? Alguns fazem história e serão relembrados em glória, outros, vegetam como párias e serão esquecidos como se nunca tivessem existido.

O destino existe? Alguns saem do anonimato e alcançam a fama, outros, saem do paraíso e se despencam no limbo.

A cada momento em que nos defrontamos com o desengano, o sofrimento e as agruras, quer quando embaçam o nosso próprio espaço íntimo, quer quando atingem os nossos semelhantes de alguma forma próximos, e até naquelas situações em que constatamos o infortúnio alheio, inequivocamente longínquo, nos quedamos a cismar sobre a imparcialidade da justiça universal.

Mas, certamente, não temos qualquer razão que justifique qualquer sentimento de indignação. O mundo, a vida, a morte e o destino, são construídos e desconstruídos por mãos humanas, apesar das aparências que, eventualmente, indiquem forças outras capazes de influenciar fatos, expectativas ou resultados.

Quase sempre temos notícia de valentes e destemidos jovens que renunciam ao prazer de suas amizades, ao conforto dos seus lares, ao carinho de suas famílias e abandonam a terra-mãe em busca do sucesso ambicionado.

Alguns voltam vencedores, coroados pelo êxito, reconhecidos como heróis e se tornam referências. Mas, outros, em número maior, voltam cansados, marcados, vencidos e se marginalizam. E pior, alguns mais, sequer voltam, frustrados, se divorciam do mundo, vestem o uniforme dos fracassados e optam por vaguear pelas vielas da vida, anônimos; sem coragem de assumir a derrota e sem forças para enfrentá-la.

Se buscarmos respostas para estes desencontros, aparentemente injustos, vamos encontrar, em algum cantinho das atitudes destes personagens, uma vontade, um fato ou uma opção, que podemos chamar de pequena diferença.

Há casos em que irmãos que nasceram dos mesmos pais, conviveram nos mesmos ambientes e tiveram as mesmas oportunidades, entretanto, no desfecho das conquistas terrenas, obtêm resultados fragorosamente diversos. Não há que se imputar sorte ou azar a qualquer deles. Podemos ter certeza de que, em algum momento, de alguma forma, deliberadamente ou não, deram ensejo a uma pequena diferença.

Se um lutador vence a luta somente depois de longo equilíbrio na disputa, fazendo jus ao título de campeão e ao grande naco financeiro que lhe cabe pela vitória, não se trata de acaso, sorte ou destino, mas, por certo, tornou-se mais apto por se dedicar alguns minutos extras ao treinamento e conseguir resistência para suportar com mais facilidade os últimos embates. Ou, talvez, o senso de disciplina lhe permitiu manter uma melhor técnica de luta, ou, ainda, quem sabe, até um cuidado mínimo com o corpo, com a saúde, ou mesmo com a auto-estima, lhe fortaleceram o menor dos músculos, então, fazendo surgir uma pequena diferença.

Quando nos deparamos com o orgulho do vencedor e a humildade do vencido, podemos ter certeza de que cada qual, de alguma forma e por algum motivo; por ação ou omissão, por coragem ou covardia, pela vontade ou pela indiferença, mereceu o resultado. Isto porque não há sorte, trata-se meramente da evidência da pequena diferença.

Não se trata de injustiça divina quando a peste, o flagelo e o caos, alcançam milhares de favelados, enquanto a saúde, o sucesso e a alegria, permanecem lado a lado com os bafejados pela fortuna. É que, em algum pedaço da existência, alguns fraquejaram enquanto outros resistiram; alguns lutaram enquanto outros alienaram; alguns buscaram a conquista de seus sonhos enquanto outros optaram por consumir momentos. Então, claro, numa ou noutra geração, manifestou-se o reflexo da pequena diferença.

A pequena diferença pode ocorrer na força de acreditar ou desacreditar na sua própria capacidade; na atitude de ousar ou de se conformar; na disposição de ambicionar ou de renunciar; na coragem de avançar ou de recuar; no poder de sonhar ou de se alhear; no ímpeto de vencer ou de se sentir vencido; de se dedicar ou de se negligenciar; na vontade de sorrir ou de auto-apiedar-se.

O grave em tudo isso é que a pequena diferença pode ter sido provocada em uma determinada época, e os resultados, positivos ou negativos, imprimirem seqüelas que continuam se manifestando no tempo, atingindo gerações posteriores. Portanto, os reflexos podem se constituir de uma herança recebida, mas, claro, também podem se traduzir no patrimônio maior que vamos deixar para os nossos sucessores.

Portanto, só nos resta um caminho: Idealizar o nosso sonho; definir o nosso objetivo; estabelecer as nossas metas e começar a nossa luta, imediatamente, e sem trégua. É preciso construir ou desconstruir a nossa pequena diferença, enquanto é tempo. Não é prudente acreditar no acaso; não podemos esperar pela sorte; não devemos confiar no destino. A única certeza que nos acompanha é a de que a razão universal é indiferente às promessas, aos lamentos e às lágrimas e, o pior, o tempo, sem qualquer dúvida, não perdoa, não espera, não pára. É absolutamente surdo, insensível e implacável.

Danilo Santana

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